Atendendo as incertezas da modelação dos eventos climáticos e a escassez de dados socioculturais de longo prazo, a presente pesquisa visa avaliar o potencial dos serviços do ecossistema na adaptação as mudanças climáticas. Os objectivos específicos são: (i) descrever os serviços de ecossistemas segundo a taxonomia da Avaliação do Milénio; (ii) estimar os índices que demonstrem a importância dos serviços de ecossistemas para as estruturas sociais; (iii) estabelecer relação entre os índices estimados e a percepção sobre a importância dos serviços dos ecossistemas frente às alterações climáticas presentes e futuras; e (iv) analisar a relação entre as categorias de serviços de ecossistemas e o bem-estar das estruturas sociais frente às alterações climáticas presentes e futuras. O trabalho de recolha de dados foi realizado em Agosto de 2022 nos distritos de Limpopo, Mabalane e Chicualacuala, 595 em agregados familiares e instituições locais.

 

Resultados Preliminares

 

Fig: Espécies agrícolas cultivadas no Corredor do Limpopo

O resultado da produção agrícola dos entrevistados é composto por espécies como a Zea mays (18.5%), Vigna unguiculata (13.03%), Sorghum bicolor (7.9%), Manihot esculenta (7.8%), Arachis hypogaea (6.6%), Cucurbita pepo (6.5%), Ipomoea batatas (6.2%), Vigna subterrânea, Pennisetum glaucum (5.6%), Citrullus lanatus (4.7%), Brassica oleracea (3.1%), Lactuca sativa (2.9%), Phaseolus vulgaris (2.8%), Allium cepa (2.1%).

 

Riqueza das espécies dos usos dos serviços ecossistêmicos no Corredor do Limpopo
 
Tab: Índice de diversidade das espécies amostradas
 
Os resultados obtidos nas análises feitas encontram-se dentro dos parâmetros aceites, pois o índice de Shannon-Weiner (H’), varia de 0 em comunidades compostas por apenas uma espécie e não excede 4.5 ou 5.0.
 
 
Tab: Índice de diversidade de dentro das categorias de uso

 

 

Fig: Relação entre a riqueza de espécies e o nível de bem estar dos entrevistados no Corredor do Limpopo

Assumindo quintis de pobreza, de modo a categorizar os níveis de pobreza dos agregados, observou-se igualmente a não relação entre as categorias de pobreza e a riqueza de espécies, ou seja, o nível de pobreza (Muito pobre, Pobre, Classe média, Rico e Muito rico), não dita sobre o uso de espécies no agregado familiar, facto que esta associado a questões de preferência dos mesmos, em relação as espécies para uso determinado, suprindo assim suas necessidades